By Pastors Wendell and Oriana Costa

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um falou da sabedoria, o outro revelou quem ela era.

No capítulo 8 do livro de Provérbios, encontramos uma maravilhosa explicação do Rei Salomão sobre sabedoria, onde ela nos é apresentada como se fosse uma pessoa. O desfecho do capítulo se dá com estas palavras:

Ouçam-me agora, meus filhos: Como são felizes os que guardam os meus caminhos! Ouçam a minha instrução, e serão sábios. Não a desprezem. Como é feliz o homem que me ouve, vigiando diariamente à minha porta, esperando junto às portas da minha casa. Pois todo aquele que me encontra, encontra a vida e recebe o favor do Senhor. Mas aquele que de mim se afasta, a si mesmo se agride; todos os que me odeiam amam a morte. (Provérbios 8:32-36)

Mais à frente, no livro seguinte, podemos encontrar o Rei Salomão dando continuidade ao raciocínio iniciado em Provérbios:

Um bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério! A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração. O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o dos tolos, na casa da alegria. É melhor ouvir a repreensão de um sábio do que a canção dos tolos. Tal como o estalo de espinhos debaixo da panela, assim é o riso dos tolos. Isso também não faz sentido. A opressão transforma o sábio em tolo, e o suborno corrompe o coração. O fim das coisas é melhor do que o seu início, e o paciente é melhor que o orgulhoso. Não permita que a ira domine depressa o seu espírito, pois a ira se aloja no íntimo dos tolos. Não diga: Por que os dias do passado foram melhores que os de hoje? Pois não é sábio fazer tais perguntas. A sabedoria, como uma herança, é coisa boa e beneficia aqueles que vêem o sol. A sabedoria oferece proteção, como o faz o dinheiro, mas a vantagem do conhecimento é esta: a sabedoria preserva a vida de quem a possui. (Eclesiastes 7:1-12)

No Novo testamento encontramos no ensino de Cristo, em palavras ditas diretamente por Ele nos evangelhos, e na divulgação deste ensino pelos apóstolos, as explicações e confirmações das palavras ditas por Salomão (abaixo segue-se um paralelo entre eles):

"Como são felizes os que guardam os meus caminhos! Ouçam a minha instrução, e serão sábios. Não a desprezem":

Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem. (João 13:13-17)


Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. (João 14:6)

Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seus corações, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:2-3)

"Como é feliz o homem que me ouve, vigiando diariamente à minha porta, esperando junto às portas da minha casa":

Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. (João 10:9)

"Todo aquele que me encontra, encontra a vida e recebe o favor do Senhor":

Pedro começou a dizer-lhe: Nós deixamos tudo para seguir-te. Respondeu Jesus: Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho, deixará de receber cem vezes mais já no tempo presente casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna. Contudo, muitos primeiros serão últimos, e os últimos serão primeiros. (Marcos 10:28-31)

"Aquele que de mim se afasta, a si mesmo se agride; todos os que me odeiam amam a morte":

Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia. (João 12:46-48)


Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. (Hebreus 10:26-27)

"Um bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!":

Todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, Cristo não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele. Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus. Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. (Romanos 6:3-11)

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (Filipenses 2:5-11)

"A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração":

A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. (2 Coríntios 7:9)

"O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o dos tolos, na casa da alegria":

Disse Jesus: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma? Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos. (Marcos 8:34-38)

Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. (João 12:24-25)

"A opressão transforma o sábio em tolo, e o suborno corrompe o coração":

Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. (1 Timóteo 6:3-10)

"O fim das coisas é melhor do que o seu início, e o paciente é melhor que o orgulhoso":

Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos. (Mateus 28:18-20) 

Agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. (Colossenses 3:8-14)

O fim de todas as coisas está próximo. Portanto, sejam criteriosos e sóbrios; dediquem-se à oração. (1 Pedro 4:7)

"Não permita que a ira domine depressa o seu espírito, pois a ira se aloja no íntimo dos tolos":

Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus. (Tiago 1:19-20) 

"Não diga: Por que os dias do passado foram melhores que os de hoje? Pois não é sábio fazer tais perguntas":

Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3:10-14)

O Senhor Jesus Cristo, portanto, é a personificação da sabedoria, apresentada ao mundo nas palavras do Rei Salomão:

Veio João Batista, que jejua e não bebe vinho, e vocês dizem: Ele tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é comprovada por todos os seus discípulos. (Lucas 7:33-35)


Pastora Oriana Costa

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Por que Deus era tão duro com as pessoas no Antigo Testamento? - Parte 1

Muitos se perguntam porque Deus era tão duro com as pessoas no Antigo Testamento, ou porque Ele era tão rígido em seus julgamentos, se já sabia que o homem por Ele criado era falho. De fato, até o momento que Adão permaneceu de acordo com o que Deus havia decretado eternamente para ele, não acontecia nada de errado com a humanidade e todos tinham o favor do Senhor em tudo quanto fizessem - o homem não conhecia a morte; ele tinha toda a ajuda de Deus pois estava andando de acordo com a justiça eterna, que fora estabelecida antes mesmo do universo existir.   

Porém, depois que Adão se separou de Deus por sua desconsideração e desobediência a Ele, muitas coisas ruins começaram a acontecer entre os seres humanos, contudo, não porque Deus estivesse sendo "mau" para o que Ele criou, mas porque a justiça estabelecida por Ele eternamente não falha, coisa que tanto satanás quanto o homem sabiam muito bem. Então, Deus infelizmente expulsou o homem de seu reino, assim como fez com o querubim Lúcifer, não porque estivesse sendo maldoso com eles, mas porque ambos já estavam separados d'Ele e não queriam mais obedecê-lo.

A desobediência do homem permitiu que o conhecimento do mal se instalasse dentro de si, e que este passasse a direcionar seus desejos, emoções e decisões, e não mais a justiça de Deus. Assim, com o passar do tempo, o homem começou a agir cada vez mais impulsionado pelo mal, e a "desdenhar" mais e mais o seu criador, como se Ele não existisse. O fato do homem ser bom de vez em quando não o justifica de suas más ações diante de Deus, nem as menores tampouco as de maior proporção, porque os seres humanos foram criados para serem totalmente bons e justos, como Deus é.

Portanto, todas as coisas ruins que aconteceram naquele tempo e ainda acontecem conosco não são culpa de Deus, e sim são provenientes de um julgamento justo e infalível estabelecido eternamente sobre o mal que está em nós (quer enxerguemos isso ou não) e que influencia diariamente em nossas decisões. 

As sugestões que o mal foi fazendo ao homem foram frutificando com o tempo, até atingirem um maior grau, onde um começou a matar o outro. O primeiro registro bíblico de homicídio foi com a morte de Abel, por seu irmão Caim (Gênesis 4:8). 

Outros eventos que tiveram início naquele tempo: o primeiro registro de concubinato foi quando um dos descendentes de Caim, Lameque, passou a viver com duas mulheres (Gênesis 4:19).

O primeiro caso de prostituição de que se tem notícia está registrado em Gênesis 6:2, quando os filhos de Deus se relacionaram com as filhas dos homens não mais para constituírem família, mas sim para seus deleites, sem mais nenhuma responsabilidade. Por isso que após este versículo está escrito:

Então disse o Senhor: Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos. (...) O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra; e isso cortou-lhe o coração. (Gênesis 6:3-6)

Então, exatamente 120 anos depois que o Senhor disse as palavras acima, o dilúvio aconteceu. Ele foi decretado porque os homens se tornaram demasiadamente maus e violentos, e estavam fora de controle, sem respeitarem nem obedecerem mais a ninguém. Vejamos os versículos a seguir:

Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência. Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta, Deus disse a Noé: "Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Deus permitiu que Noé e sua família continuassem vivos, porque apesar de terem o mal dentro de si, eles se arrependiam de suas maldades e se esforçavam para serem justos. Contudo, logo após o dilúvio, os primeiros casos de embriaguez e de homossexualidade foram registrados, quando Noé foi abusado sexualmente durante sua embriaguez com vinho por seu próprio filho caçula, Cam. Este se aproveitou da situação em que seu pai se encontrava, sem poder reagir, para satisfazer um desejo sexual seu. Diante disso, Noé não o tirou do convívio familiar, mas precisou castigá-lo de alguma forma por desrespeitar e desonrar seu próprio pai:

Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha. Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda. Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora. Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no. Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito, disse: Maldito seja Canaã! Escravo de escravos será para os seus irmãos. Disse ainda: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem! Seja Canaã seu escravo. Amplie Deus o território de Jafé; habite ele nas tendas de Sem, e seja Canaã seu escravo. (Gênesis 9:20-27)


FIM DA PARTE 1 - A PARTE 2 DESTE ESTUDO SERÁ PUBLICADA EM BREVE.


PASTORA ORIANA BARROS.



 

sábado, 19 de outubro de 2013

A verdade sobre as cinco chamadas ministeriais

O trecho bíblico a seguir nos passa informações importantes sobre as cinco chamadas ministeriais:

Ele deu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para o trabalho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos meninos, jogados de um para outro lado e levados ao redor por todos os ventos de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; mas praticando a verdade em amor, cresçamos em todas as coisas até chegarmos a ele, que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo conjuntado e coligado pelo que toda a junta supre, segundo a operação na medida de cada membro, efetua o aumento do corpo para edificação de si mesmo em amor. Isto, portanto, digo e testifico no Senhor, que não mais andeis como também andam os gentios na vaidade de sua mente, sendo obscurecidos no seu entendimento, alienados da vida de Deus, pela ignorância que há neles por causa do endurecimento do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à lascívia, para praticarem com avidez toda a imundícia. (Efésios 4:11-19)

Após a leitura do texto acima, compreendemos que as cinco chamadas ministeriais na igreja não são "cargos" como numa empresa, onde se pode ascender a "posições mais elevadas" pelo reconhecimento de seu empenho na instituição. Elas são, sim, trabalhos ou serviços destinados ao cuidado e preparação da igreja. Desta forma, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres são antes chamados para SERVIR a igreja, e não serem somente "servidos" por ela. E nenhum desses serviços é melhor ou mais importante que o outro.

O propósito destes serviços é o aperfeiçoamento dos santos (dos que creem e seguem a Cristo) para o trabalho do ministério; e o trabalho do ministério é a divulgação da mensagem de reconciliação com Deus ao mundo. E não há como realizar este trabalho com eficácia se não estivermos bem informados com relação aos nossos direitos e deveres segundo as leis do Reino de Deus, de forma que as forças e capacitações de todos sejam somadas para que o verdadeiro propósito de Deus se cumpra. É exatamente aí que se enquadra o foco das cinco chamadas ministeriais. Cada uma delas age de uma maneira própria para que a igreja conheça e obedeça as leis do Reino, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda. 

De acordo com explicação do apóstolo Paulo aos cristãos efésios, os serviços das cinco chamadas ministeriais são direcionados à edificação ou capacitação do corpo de Cristo: primeiramente para que todos estejam em unidade de pensamento, conhecendo e praticando as leis do Reino de Deus, e não sejam enganados pelo anticristo e pela ação do falso profeta. Consequentemente, em segundo lugar, a igreja fará bem feito o trabalho de divulgação das boas novas do evangelho ao mundo, para que todo aquele que crer em Jesus Cristo não pereça eternamente, mas tenha vida com Ele.

O Evangelista é aquele divulga a justiça de Deus ao mundo: ele apregoa publicamente, fora da igreja, as boas novas do Reino em vários lugares e sai plantando a semente de fé no coração das pessoas, porém, estas ficam soltas sem cuidado, sem congregar. Então, entra o serviço do apóstolo. É ele que tem a função de iniciar congregações; é ele quem vai a um determinado lugar, guiado pelo Espírito de Deus, e junta essas pessoas que já foram evangelizadas, e dá os primeiros ensinamentos acerca do Reino de Deus a elas. Mas, ele não permanece muito tempo numa congregação, logo Deus o leva para outro lugar, e então no lugar dele ficam os pastores, os profetas e os mestres. Estes três devem trabalhar em equipe. Enquanto o pastor visita, escuta, aconselha, socorre individualmente cada pessoa, o profeta chama atenção para as leis do Reino, lembrando-as à congregação, e o mestre, se ocupa em ensinar detalhadamente estas leis a todos os seguidores de Cristo.

Se estes serviços não acontecerem desta forma, sincronizados e em unidade na fé, a igreja fica despreparada e fraca, à mercê das mentiras do diabo, e não consegue divulgar as boas novas do Reino ao mundo como realmente deve fazer.

Tamanha é a responsabilidade do serviço eclesiástico, que especialmente aos pastores (presbíteros ou bispos), os apóstolos Pedro e Paulo, respectivamente, fazem as seguintes advertências:

Apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória. (1 Pedro 5:1-4)

Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo. (1 Timóteo 3:1-7)

Assim sendo, para que tudo isso aconteça perfeitamente, o corpo de Cristo como um todo, tanto os que ensinam e preparam quanto os que aprendem e estão sendo capacitados, devem andar na Justiça de Deus e não se deixarem levar por vaidades, sentimentos e emoções advindos da carne. É muito comum a soberba e a vaidade da alma subirem à cabeça e desviarem as pessoas que estão assumindo serviços ministeriais do verdadeiro foco, como se elas devessem obter algum lucro materialmente falando com seus trabalhos.      

O mundo se deixa levar pelo que sente vontade e por isso não entende a justiça de Deus, e a necessidade que nós seres humanos temos de salvação na eternidade. Esta ignorância espiritual torna os que estão no mundo insensíveis à voz do Senhor, e sempre os leva a serem cada vez mais dominados por seus próprios pensamentos e sentimentos carnais, a se entregarem à sensualidade (lascívia) e a todo tipo de maldade como se fossem coisas saudáveis, normais, corretas. Por isso a vaidade, o egoísmo e a competição são coisas normais no mundo. Nele não se trabalha com o propósito de divulgar o Reino de Deus para a salvação das almas, mas nele trabalhamos primeiramente objetivando realizar anseios pessoais, como ter dinheiro para pagar as contas no fim do mês, por exemplo.  

É por isso que a igreja precisa vigiar para não cair no mesmo erro, principalmente os que estão em serviços eclesiásticos, se quiserem realmente agradar a Deus e herdarem a vida eterna. Vaidade, egoísmo e competição não devem existir no meio dos que seguem a Cristo porque os serviços realizados na igreja não são para realizar anseios pessoais, materiais, mas os de Deus, que são eternos. 

Quem espera ou mesmo está se esmerando em obter reconhecimento humano, ou muitos ganhos materiais com os serviços eclesiásticos, está no caminho errado. Tal pessoa está se enquadrando nas palavras dos versículos 18 e 19 do trecho bíblico do início deste texto, onde o apóstolo Paulo nos explica qual a real situação, diante de Deus, das pessoas que agem desta forma: Estão obscurecidas em seus entendimentos, alienadas da  vida de Deus pela ignorância que há nelas, devido ao endurecimento dos seus corações; e estando, por causa disso, insensíveis à verdade, se entregam à lascívia para praticarem com avidez toda a imundícia. 

Esta lascívia de que fala o Apóstolo Paulo não está se referindo diretamente à sensualidade física, mas chama a atenção para uma certa atratividade provocada pelo atiçamento de desejos materiais, que acontece pelo uso distorcido das escrituras em pregações feitas por pessoas que buscam satisfazer seus egos ministerialmente, que buscam status, fama, prestígio, dinheiro. Elas não direcionam as pessoas para Jesus e à vida eterna que somente Ele pode nos dar, mas atiçam as pessoas a buscarem se satisfazer neste mundo materialmente mais do que espiritualmente, a fundarem suas vidas em aquisições materiais e a se sentirem confortáveis e realizadas somente com isso. 

Muitas vezes alguns pregadores dizem: "não se conformem com a situação", ou "declare (profetize) a benção", como se esta fosse mesmo a maneira correta de oferecer resistência ao diabo no meio de uma tribulação, ou como se a inconformidade das pessoas fosse maior do que aquilo já decretado eternamente, antes mesmo de existirmos. Somente aprendendo e declarando as leis do Reino de Deus reveladas em Cristo podemos resistir verdadeiramente ao diabo, assim como Jesus fez (Mateus 4:1-11), e cumprindo-as seremos verdadeiramente abençoados por Deus, eternamente e materialmente, assim como Jesus nos promete (Mateus 6:31-34).  

Mas, atenção(!): O fato de estarmos adquirindo bençãos materiais ou termos sonhos materiais realizados dentro ou fora da igreja não significa necessariamente que estamos agradando a Deus, ou vivendo como justos segundo as leis de Seu Reino! - (Lucas 12:15) - Tem muitas pessoas que não seguem a Cristo e ganham um bom dinheiro, conseguem bons cargos em empresas, simplesmente porque se esforçam para fazerem um bom trabalho, que agrada às pessoas, que atende as necessidades delas prontamente, por exemplo. Contudo, aquele que prega o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo não anuncia o Reino numa congregação esperando receber dos irmãos uma oferta generosa no final, ou só prega o evangelho se um alto cachê for pago!

Quem segue a Cristo não anda em conformidade com este mundo, mas renova a sua mente diariamente trocando a sua própria justiça que aprendeu neste mundo pela justiça de Deus, obedecendo ao que Jesus ensina (Romanos 12:2). E quem obedece ao que Jesus ensina, lembra perfeitamente destas palavras antes de fazer qualquer coisa:

Não se preocupem, dizendo: Que vamos comer? ou que vamos beber? ou que vamos vestir? Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal. (Mateus 6:31-34) 

E também lembra dessas:

Por onde forem, preguem esta mensagem: O Reino dos céus está próximo. Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça; dêem também de graça. Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos; não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento. (Mateus 10:7-10)

Alguém que "tem o sonho" de ser um pastor ou um profeta usado por Deus, popular, numa igreja muito grande, ou um pregador reconhecido, convidado para pregar em muitas igrejas e nações, somente no intuito de se satisfazer como ser humano, está enganado, pois este sonho não vem do espírito e sim da carne. É um sonho pessoal, e não o sonho de Deus. Da sua boca não vai sair o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo que leva à salvação, e sim palavras de vaidade. 

Na verdade, os sonhos de Deus para nós nunca satisfazem nosso ego, mas satisfazem nosso espírito! E Deus não satisfaz sonhos que resultem somente em nossa realização material. 

De fato, quando Deus começa a realizar os sonhos d'Ele em nós, acontece exatamente como foi com José, no Egito, ou como foi com o próprio apóstolo Paulo: eles passaram por muitos sofrimentos, até chegarem onde Deus queria; e não porque o Senhor quisesse somente satisfazer um desejo do coração deles, mas porque era da vontade de Deus que eles estivessem fazendo os serviços que terminaram fazendo! Eles sofreram muito para que todo o propósito de Deus fosse cumprido através deles. E isso acontece com todas as pessoas que seguem a Jesus e são chamadas por Ele para assumir algum dos cinco serviços ministeriais citado por Paulo ao efésios.

Vejamos o que o apóstolo Paulo nos ensina neste trecho bíblico:

Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão. Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas. (1 Timóteo 6:3-12)

Ao lermos o trecho acima, observamos que o nosso apóstolo está se referindo aos que estão em serviços ministeriais e usam do evangelho para enriquecer, achando que a divulgação do Reino de Deus é fonte de lucro materialmente. Por isso Ele diz: "Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos". Ele nos explica que a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, contudo eternamente, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar.

Paulo, em vez de orientar Timóteo a tomar posse de bençãos materiais, diz a ele: "Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado". Ele nos adverte que o trabalho realizado por falsos ministros deixa um rastro de inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes; estes falsos profetas são pessoas que estão dentro da congregação, mas não se desligam do mal deste mundo e por isso não entendem a palavra de Deus, permanecendo com a mente corrompida e privados da verdade. 

Podemos dar um exemplo prático disso: a história de conseguir as coisas pela fé. Quando o que Jesus ensina em Mateus 6:31-34 não é o bastante, aparecem pregadores ensinando que temos que "declarar a benção e tomar posse dela pela fé", e que se tivermos fé verdadeiramente, vamos conseguir aquilo que queremos materialmente.  

Então, está subentendido que o irmão que quer ter uma casa própria e não está conseguindo, ou declarou uma cura e ela está demorando para acontecer, é porque "não teve fé o suficiente" (mas, como, se para pedir a Deus é necessário crer que Ele pode dar?). E então, vendo que a tal benção não está acontecendo, ele se sente inferior a outro irmão que conseguiu as bençãos que declarou, e se sente humilhado na frente dele, e acha que realmente não tem fé suficiente, ou que ele está em pecado e por isso Deus não o ouviu. Ele se sente um fracassado, e fica desestimulado a orar e congregar. No entanto, isso não é necessariamente culpa dele, pois este infelizmente é o rastro que um ensino mentiroso deixa numa congregação. 

Mas, quando Paulo nos diz: "De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos", que rastro será que ele vai deixar? Alguém vai se sentir frustrado se não conseguir algo materialmente depois de ouvir estas palavras? Certamente que não! Ao ouvir estas palavras as pessoas serão mais agradecidas a Deus pelo que tem, e também ainda que não consigam coisas materiais, serão agradecidas a Deus pela maior benção que Ele poderia conceder a qualquer ser humano: a vida eterna!

Segundo a palavra de Deus, o que devemos declarar não são as bençãos materiais que queremos, mas as leis do Reino; e não somente declará-las, mas meditar nelas, PARA EM SEGUIDA CUMPRÍ-LAS, pois é isto que faz de um servo de Deus uma pessoa bem sucedida na terra:

Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido. Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar. (Josué 1:7-9)

E o que devemos fazer com relação as nossas necessidades materiais é somente apresentá-las a Deus (que de antemão já sabe quais são) com oração e súplicas, e, ao mesmo tempo já agradecermos por Ele nos ouvir e nos prover:

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. (Filipenses 4:6-7) 

Com relação ao trecho do livro de Josué, citado há pouco, lembramos que, como estamos numa nova aliança estabelecida entre Deus e os homens através de Jesus Cristo, pela qual nossos pecados são perdoados eternamente, é aos mandamentos dele que devemos obedecer, e não aqueles dados a Moisés; esses fazem parte da antiga aliança, pela qual os homens não alcançam a graça do perdão dos pecados espiritualmente.

Um verdadeiro ministro de Deus deixa rastros como os de Paulo, rastros da justiça de Deus, de salvação, onde o foco é a vida eterna. Seja servindo como apóstolo, profeta, evangelista, pastor ou mestre, ele vai estar em unidade com o ensino de Cristo, e em unidade com os demais irmãos, vigiando sempre para não entristecer ao Espírito de Deus. 

Quem assume um serviço eclesiástico deve estar disposto a negar-se a si mesmo para anunciar a Cristo. Então, este é preço que verdadeiros ministros de Deus pagam para divulgar as boas novas do Reino de Deus neste mundo:

Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma, para que o nosso ministério não caia em descrédito. Pelo contrário, como servos de Deus, recomendamo-nos de todas as formas: em muita perseverança; em sofrimentos, privações e tristezas; em açoites, prisões e tumultos; em trabalhos árduos, noites sem dormir e jejuns; em pureza, conhecimento, paciência e bondade; no Espírito Santo e no amor sincero; na palavra da verdade e no poder de Deus; com as armas da justiça, quer de ataque, quer de defesa; por honra e por desonra; por difamação e por boa fama; tidos por enganadores, sendo verdadeiros; como desconhecidos, apesar de bem conhecidos; como morrendo, mas eis que vivemos; espancados, mas não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo. (2 Coríntios 6:3-10)

Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. (1 Coríntios 10:32)

Vocês bem sabem a nossa linguagem nunca foi de bajulação nem de pretexto para ganância; Deus é testemunha. Nem buscamos reconhecimento humano, quer de vocês quer de outros. Embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos ter sido um peso, tornamo-nos bondosos entre vocês, como uma mãe que cuida dos próprios filhos. Sentindo, assim, tanta afeição por vocês, decidimos dar-lhes não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós. Irmãos, certamente vocês se lembram do nosso trabalho esgotante e da nossa fadiga; trabalhamos noite e dia para não sermos pesados a ninguém, enquanto lhes pregávamos o evangelho de Deus. Tanto vocês como Deus são testemunhas de como nos portamos de maneira santa, justa e irrepreensível entre vocês, os que crêem. Pois vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos, exortando, consolando e dando testemunho, para que vocês vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória. (1 Tessalonicenses 2:5-12)

Não explorem um ao outro, mas temam ao Deus de vocês. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês. Pratiquem os meus decretos e obedeçam às minhas ordenanças, e vocês viverão com segurança na terra. (Levítico 25:17-18)


Pra. Oriana Costa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Várias passagens do Antigo Testamento revelam Jesus, Seu Reino eterno, Sua Justiça e Sua Igreja.

A igreja do Senhor Jesus Cristo se iniciou com os 12 apóstolos escolhidos por ele, e começou a tomar forma logo após sua ressurreição e ascensão aos céus, como observamos nos escritos de Atos dos apóstolos. Naquele tempo a Bíblia Sagrada, com todos os 66 livros que conhecemos hoje, ainda não existia, e os primeiros seguidores de Cristo só tinham acesso aos escritos do Antigo Testamento, que atualmente, para os cristãos, somam um total de 39 livros.

Naquele momento os seguidores de Cristo precisavam encontrar no AT confirmações de Cristo e de Seu Reino eterno, bem como de Sua justiça ou de suas leis, para então poderem obedecê-las. Eles sabiam que a única forma de sermos cidadãos do Reino de Deus verdadeiramente, e também verdadeiros representantes deste reino, ainda que estejamos no mundo por enquanto, é perseverando em viver segundo a justiça de Deus até o fim dos nossos dias na terra.

Então, como aquelas pessoas conseguiam ver Cristo e a si mesmas como igreja, bem como as leis do Reino de Deus claramente no AT, se sabemos que nele muitas informações estavam totalmente encobertas, de tal maneira que nem os judeus estudiosos da lei, naquele tempo, tinham entendimento claro das escrituras?

Jesus, aos escolher seus apóstolos, revelou-lhes a verdade escondida nos escritos da antiga aliança; por sua vez, eles repassaram este conhecimento à Igreja, deixando estas preciosas informações registradas nos evangelhos e nas cartas que periodicamente eram enviadas às congregações mais distantes de sua época. Estas epístolas serviam para consolo, exortação e ensino da verdadeira doutrina de Cristo aos que criam no Senhor, apoiados em explicações dos escritos do AT como confirmação de que o que eles afirmavam era verdadeiro.

Contudo, Paulo de Tarso, em especial, foi o primeiro apóstolo chamado por Cristo depois de sua ascensão aos céus; ele não conheceu ao Senhor pessoalmente, como os demais apóstolos diretamente por Ele escolhidos. Antes de sua conversão a Cristo, o Apóstolo Paulo fora instruído na Lei mosaica desde sua infância por Gamaliel (Atos 22:3), um famoso Doutor da lei. Ao prosseguir na fé em Cristo, ele recebeu toda a revelação das escrituras diretamente do Espírito Santo, e, portanto, desta vez não recebera ensino de homem algum (ele não teve contato com os demais apóstolos nos três primeiros anos de sua conversão). 

E foi exatamente por isso que Deus enviou a Paulo um espinho na carne, para que ele não se ensoberbecesse devido a forma como estava aprendendo, e pela quantidade de informações que estava recebendo diretamente de Deus em tão pouco tempo, sem depender de outras pessoas para isso. Eis os versículos onde ele nos confirma este julgamento de Deus:

Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. (2 Coríntios 12:7-9)  

As revelações que Paulo recebeu foram tão precisas, que a maioria das cartas do NT são de sua autoria, e contém explicações sobre o significado de passagens do AT que eram incompreendidas até aquele momento.

Vejamos nos versículos a seguir, o testemunho do Apóstolo Paulo sobre si mesmo:

O evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim. (Gálatas 1:11-24, ACRF)  

Desta forma, através do evangelhos e das cartas dos apóstolos sabemos que é Cristo quem revelou tudo a eles, e através do trabalho deles nós conhecemos toda a Justiça operante no Reino de Deus, a fim de que andemos nela e herdemos a vida eterna no Dia do Senhor. Por isso o Apóstolo Paulo se refere a essa verdade encoberta como "o mistério que me foi dado a conhecer por revelação":

Por essa razão, eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vocês, gentios — Certamente vocês ouviram falar da responsabilidade imposta a mim em favor de vocês pela graça de Deus, isto é, o mistério que me foi dado a conhecer por revelação, como já lhes escrevi brevemente. Ao lerem isso vocês poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo. Esse mistério não foi dado a conhecer aos homens doutras gerações, mas agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas de Deus, a saber, que mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus. (Efésios 3:1-6)

Lendo nos evangelhos as palavras de Jesus e o ensino dos apóstolos nas epístolas do NT, nós entendemos que os escritos do AT estão cheios de verdades encobertas que precisamos buscar, se quisermos realmente visualizar todo o agir de Deus conforme Sua Justiça eterna. As palavras do NT nos iniciam no entendimento da vontade perfeita de Deus; o restante dessa compreensão fica por nossa conta, em orar, estudar e gastar tempo meditando no conteúdo bíblico. 

Nos parágrafos seguintes vamos observar exemplos de como podemos visualizar no AT confirmações das coisas que estão escritas no NT.   

No trecho bíblico a seguir percebemos um dos profetas da antiga aliança sendo usado por Deus para anunciar Jesus ("...o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos."), Seu reinado eterno (todo o quarto versículo: "Ele se estabelecerá e os pastoreará na força do Senhor..."), e também aqueles que na terra, ao longo dos séculos, estão representado ao Senhor após sua ressurreição como embaixadores deste reino ou como a Sua igreja na terra ("O remanescente de Jacó...") até que a justiça de Deus seja totalmente cumprida ("Sua mão se levantará contra seus adversários, e todos os seus inimigos serão destruídos."):  

Tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. Por isso os israelitas serão abandonados até que dê à luz a que está em trabalho de parto. Então o restante dos irmãos do governante voltarão para unir-se aos israelitas. Ele se estabelecerá e os pastoreará na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, o seu Deus. E eles viverão em segurança, pois a grandeza dele alcançará os confins da terra. Ele será a sua paz. Quando os assírios invadirem a nossa terra e marcharem sobre as nossas fortalezas, levantaremos contra eles sete pastores, até oito líderes escolhidos. Eles pastorearão a Assíria com a espada, e a terra de Ninrode com a espada empunhada. Eles nos livrarão quando os assírios invadirem a nossa terra, e entrarem por nossas fronteiras. O remanescente de Jacó estará no meio de muitos povos como orvalho da parte do Senhor, como aguaceiro sobre a relva; não porá sua esperança no homem nem dependerá dos seres humanos. O remanescente de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais da floresta, como um leão forte entre rebanhos de ovelhas, leão que, quando ataca, destroça e mutila a presa, sem que ninguém a possa livrar. Sua mão se levantará contra os seus adversários, e todos os seus inimigos serão destruídos. (Miquéias 5:2-9)

Neste outro trecho, podemos ver palavras semelhantes ao anterior se referindo a Jesus ("...o Senhor dos exércitos..."), à igreja (..."o remanescente de Israel, os sobreviventes da descendência de Jacó"...), e ao julgamento final de Deus sobre a maldade do mundo ("A destruição já foi decretada, e virá transbordante de justiça"):

Naquele dia o remanescente de Israel, os sobreviventes da descendência de Jacó, já não confiarão naquele que os feriu, antes confiarão no Senhor, no Santo de Israel, com toda a fidelidade. Um remanescente voltará, sim, o remanescente de Jacó voltará para o Deus Poderoso. Embora o seu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, apenas um remanescente voltará. A destruição já foi decretada, e virá transbordante de justiça. O Senhor, o Senhor dos Exércitos, executará a destruição decretada sobre todo o país. Por isso o Senhor, o Senhor dos Exércitos, diz: Povo meu que vive em Sião, não tenham medo dos assírios, quando eles os espancam com uma vara e erguem contra vocês um bastão, como fez o Egito. Muito em breve o meu furor passará, e a minha ira se voltará para a destruição deles. (Isaías 10:20-25)

No trecho acima podemos notar uma semelhança do que é dito pelo profeta Isaías nos versículos 24 e 25, quando ele fala sobre os assírios, com as palavras do Senhor Jesus ( ..."não tenham medo dos que matam o corpo"...), nos livros de Mateus e Lucas, ao consolar seus discípulos lembrando-lhes que Deus exercerá Sua justiça sobre toda a maldade:

Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se o dono da casa foi chamado Belzebu, quanto mais os membros da sua família! Portanto, não tenham medo deles. Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido. O que eu lhes digo na escuridão, falem à luz do dia; o que é sussurrado em seus ouvidos, proclamem dos telhados. Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno. (Mateus 10:25-28)

Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados. Eu lhes digo, meus amigos: não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer. (Lucas 12:1-5)

No livro de Jeremias podemos observar Deus usando o profeta para falar sobre a salvação eterna que acontecerá à igreja ("Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atraí" e "O Senhor salvou o seu povo, o remanescente de Israel"), a sua ressurreição ("Eu a edificarei mais uma vez, ó virgem, Israel! Você será reconstruída!"), e a sua entrada definitiva no Reino ("Venham e subamos a Sião, à presença do Senhor, do nosso Deus"):

Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e eles serão o meu povo. Assim diz o Senhor: O povo que escapou da morte achou favor no deserto". Quando Israel buscava descanso, o Senhor lhe apareceu no passado, dizendo: Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atrai. Eu a edificarei mais uma vez, ó virgem, Israel! Você será reconstruída! Mais uma vez você se enfeitará com guizos e sairá dançando com os que se alegram. De novo você plantará videiras nas colinas de Samaria; videiras que os lavradores que as tinham plantado antes profanaram. Porque vai chegando o dia em que os sentinelas gritarão nas colinas de Efraim: Venham e subamos a Sião, à presença do Senhor, do nosso Deus. Assim diz o Senhor: Cantem de alegria por causa de Jacó; gritem, exaltando a principal das nações! Proclamem e dêem louvores dizendo: O Senhor salvou o seu povo, o remanescente de Israel. (Jeremias 31:1-7)

No AT, portanto, podemos encontrar diversas passagens falando de Jesus, da igreja, de Seu Reino eterno, da salvação e do grande julgamento que se sucederá eternamente, porém, tudo encoberto, como um enigma que só é resolvido pelo próprio Deus, pelo ensino de Cristo. Assim, é necessário que estudemos e meditemos nos escritos do NT, para que entendamos realmente o que Deus está querendo nos dizer através das escrituras na antiga aliança.

Geralmente, quando estamos lendo a Bíblia no NT (não é necessário ser Bíblia de estudos, pode ser uma comum, o que é bem mais aconselhável), podemos observar em notas de rodapé referências do AT em letras menores, e vice versa; então, é sempre bom que durante nossos estudos bíblicos individuais façamos sempre esta ligação dos escritos do NT com os do AT, verificando estas referências; isso ajudará na melhor compreensão das escrituras, e por conseguinte, da justiça eterna e da vontade perfeita de Deus para nós.     

Pastora Oriana Costa. 




terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Bíblia não é um livro de feitiços.

Tem gente que usa a Bíblia como se fosse um livro de feitiçaria, como aqueles dos filmes de Harry Potter. Abre-se em uma passagem que tenha algo "forte" escrito, e declara-se aquilo repetidamente, exatamente como é feito nos filmes de bruxas, na expectativa de que vá acontecer algo sobrenatural, ou aquilo vá fazer Deus agir em seu favor.
 
Isso é um grande engano. A Bíblia é um livro de leis e regras eternas, é a constituição do Reino de Deus, e não um livro de feitiços, que podemos sair declarando ao bel prazer e tentando imitar os feitos nele descritos para obter o que desejamos mais rápido, como se fosse mágica!
 
O conteúdo da Bíblia é para ser aprendido e colocado em prática com a finalidade única de se obter a cidadania do Reino de Deus, porque se trata da exposição das Suas Leis, da Justiça que opera nele, do que é aceito e do que não é por lá!
 
Ora, quem persevera em aprender e praticar as Leis do Reino ainda neste mundo, obviamente receberá o favor de Deus, que consiste em curas, livramentos, provisões materiais, consolo na aflição, paz no meio das piores situações, milagres quando se fizerem necessários, e VIDA ETERNA: ISSO NÃO É MAGIA, NÃO É MISTICISMO E NEM RELIGIOSIDADE, mas é cumprimento da Justiça de Deus desde a eternidade naqueles que lhe obedecem. Ele é absolutamente fiel ao que instituiu, reto e JUSTO!
 
E as Leis da constituição do Reino de Deus só são devidamente explicadas por Cristo. É necessário estudar e meditar no ensino de Jesus, repassado através dos escritos dos Apóstolos, buscando entender a Justiça de Deus e andar nela, se realmente quisermos usufruir do favor d'Ele neste mundo e, mais ainda, na eternidade.
 
Pra. Oriana Costa.
 
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tópico 2: O que são as obras da carne.

Atenção, leitores: este texto se trata do segundo tópico do estudo bíblico "O conhecimento do mal e as obras da carne". Ao final desta publicação postamos um link que dá acesso ao estudo completo.

Quando estamos afastados de Deus, ainda que possamos dizer que acreditamos e confiamos n'Ele, o primeiro e mais gritante sintoma desta separação é que não conseguimos frutificar pelo Espírito, ou não conseguimos andar na justiça de Deus verdadeiramente.
Ainda que escutemos pregações, ainda que participemos de trabalhos na igreja, ainda que falemos bem de Deus e da Sua Palavra, ainda que conheçamos as escrituras decor, a ponto de recitar versículos sem olhar para a Bíblia, quando estamos afastados de Deus nós só conseguimos frutificar pelos impulsos da nossa carne. E há quem pense que "seus impulsos" são santos, são direção de Deus para sua vida e até para a vida dos outros, sem atentar para o que realmente está escrito na "constituição do Reino de Deus".
Nossa carne é má por natureza ou está no pecado: ela se encontra separada de Deus; é por isso que o Apóstolo Paulo diz "sei que nada de bom habita em mim, isto é, na minha carne" (Romanos 7:18). De fato, a carne (alma e corpo) não consegue andar na justiça de Deus por se firmar em si mesma, em seus sentimentos, emoções e desejos. Estes nos levam à escravidão em nós mesmos, e por eles infelizmente nós NUNCA conseguimos ser pessoas sábias e justas verdadeiramente, por mais que nos esforcemos. É por eles que o diabo nos tenta e nos faz permanecer submissos à justiça do mundo.
Assim sendo, a única forma de viver pelo Espírito e, por conseguinte, de resistir tentações ou resistir ao diabo, é a submissão à Justiça de Deus, não há outro caminho. Foi desta forma que Jesus resistiu ao diabo quando foi tentado no deserto (Lucas 4:1-13); lendo a referida passagem da tentação de Jesus, logo percebemos que o maligno não tentou ao Senhor de qualquer maneira, mas o fez na hora em que este se encontrava "fisicamente vulnerável", para que ficasse mais fácil Ele DESOBEDECER ÀS LEIS DO REINO DE DEUS.

Na tentativa de fazer o Senhor burlar as leis que Ele mesmo criou, "satanás as expôs de uma forma a persuadi-lo a se deixar levar pela situação", pelas circunstâncias, e não por Sua Justiça. O resultado, nós já sabemos: Jesus o resistiu não obedecendo aos impulsos que sua carne poderia ter tido por estar enfraquecida no momento, mas declarou e obedeceu as Leis de Seu Reino. Ele continuou em Sua Justiça, ainda que as circunstâncias apontassem que Ele poderia morrer fisicamente por estar mal acomodado, sem comer e sem qualquer pessoa por perto que pudesse socorrê-lo! Por isso está escrito:
Submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. (Tiago 4:7)
Não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça. (Romanos 6:12-13) 
A nossa alma é pecadora, é ímpia, não se converte, ou seja, ela nunca aceitará se submeter pacificamente as leis do Reino de Deus, senão por esforço, com muita luta, sendo continuamente forçada a agir segundo à verdade de Cristo; ela sempre será influenciada pelo conhecimento do mal que está nela, e se encontra escravizada por ele. Por isso o Apóstolo Paulo termina seu discurso aos cristãos romanos no capítulo 7 com estas palavras: 
Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado. (Romanos 7:21-25)

Quando iniciamos uma caminhada com Cristo, fazendo aliança com Deus por Ele, e buscando aprender e nos submeter às leis de Seu Reino, constantemente iremos ser confrontados com nossos sentimentos, emoções e desejos.

Não é à toa que o profeta Jeremias fala estas palavras:

O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras. (Jeremias 17:9-10)

Isso acontece porque no Reino de Deus não agimos guiados por impulsos, impressões e sugestões advindos do corpo ou da alma humana, mas pela Justiça de Deus, que se encontra revelada no ensino de Cristo. Por isso é tão importante para os cristãos buscarem conhecer e praticar a doutrina do Senhor, renovando diariamente o entendimento:

No evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: O justo viverá pela fé.(Romanos 1:17) - À afirmação "o justo viverá pela fé", entenda-se: "quem persevera em andar na justiça de Deus no mundo pela fé em Cristo herdará a vida eterna".

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.(Romanos 12:2)

Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.(2Pedro 3:18)

Somente desta forma seremos pessoas constates na fé, sem nos deixarmos levar por situações, mas independente de qualquer circunstância ou do que possamos sentir ou desejar materialmente, continuaremos testificando o Senhor e divulgando o Seu Reino ao mundo, sem rompermos nossa aliança com Ele.
Quando verificamos as obras da carne descritas em Gálatas 5, por exemplo, podemos perceber com clareza que são ações advindas de sentimentos, emoções e desejos carnais. Por isso são veemente condenadas pelas leis do Reino. Deus nunca agiu e nem age movido por sentimentos, emoções ou desejos, ainda que Ele sinta arrependimento, ira, se entristeça ou deseje algo.

É tanto que Ele mesmo "deseja" que todos sejam salvos da condenação eterna no Dia do grande julgamento; porém, Ele mesmo não passará por cima de Sua Justiça eterna, e julgará a todos a partir dela. Muitos serão condenados e não escaparão da pena reservada aos transgressores de Suas Leis, e, como vemos, Ele não se satisfará com isso, mas terá que cumprir, pois é absolutamente íntegro e fiel a si mesmo.

Diga-lhes: Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos!(Ezequiel 33:11) 

Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo. (1 Timóteo 2:3-6)

E é exatamente por este motivo que quando Jesus ensina seus discípulos a orar ao Pai, Ele declara, em determinado momento de seu discurso:

Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.(Mateus 6:10) - Na eternidade a vontade de Deus é plenamente estabelecida pelas Leis que Ele mesmo instituiu a partir da sua realidade eterna ou espiritual, e não com base na realidade física que vivemos neste mundo. Vindo o conhecimento da existência do Reino de Deus ao mundo, logo, temos também a informação de que as Leis eternas estão sendo aplicadas também em nosso mundo material, quer gostemos disso ou não. 

Segundo as Leis do Reino, infrações eternas não tem perdão, senão, através da justificação pelo crédito que damos ao sacrifício do Filho de Deus (Jesus Cristo) por nós, sem merecermos (que é a graça), e em seguir suas instruções até a nossa morte física ou até o Dia de Sua segunda vinda, se ainda estivermos vivos no mundo. Para confirmar, leiamos o trecho bíblico a seguir:

Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só. (...) Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.(Romanos 3:10-26/Leia também 1Tessalonisences 4: todo o capítulo.)  
Deus só age movido pela verdade, pelas leis que Ele mesmo estabeleceu eternamente ou espiritualmente. Todas as Suas promessas e todos os Seus feitos constantes na Bíblia existem, aconteceram e ainda continuam acontecendo baseados nas leis que antes Ele estabeleceu na eternidade, o lugar onde reside, pois Ele é espírito. Ele é totalmente justo, e assim tem sido paciente e compassivo com todos, até com os maus, sem julgar a humanidade definitivamente, por enquanto.

Por isso Ele não poderia e nem poderá jamais aceitar em Seu Reino pessoas que preferem obedecer aos impulsos da carne, e fazerem com que isso pareça justo e aceitável aos olhos dos outros, em vez de andarem pelo Espírito ou pela Justiça por Ele estabelecida em Seu Reino.
Vejamos algumas obras da carne expostas no ensino de Cristo, transmitido a nós através dos escritos feitos pelos apóstolos:
Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.(1 Coríntios 6:9-10)
Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. (Apocalipse 22:14-15)
Todas estas ações são advindas de sentimentos e desejos como, por exemplo, o sentimento do medo. O medo é um dos sentimentos geradores da mentira. A mentira também é gerada pelo sentimento de vergonha, ou de inveja, ou pelo desejo de possuir algo materialmente falando.

A imoralidade sexual, a prostituição, o adultério e a homossexualidade são provenientes de desejos do corpo (fisiológicos) na área sexual, ou dos impulsos da libido (que pode acontecer direcionada a pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo), e até do desejo de melhorar financeiramente, no caso da prostituição como profissão.
Os sentimentos de raiva, de ciúme, e de interesse material (cobiça) geram conflitos, assassinatos, violência, guerra. Não só o desejo descontrolado do corpo gerado pelo vício no consumo de álcool, mas os sentimentos de insatisfação, de incapacidade, de culpa ou de perda, por exemplo, podem levar alguém ao alcoolismo, além de levarem ao vício em outros tipos de drogas. 

Pena e simpatia também são sentimentos. Movidos por eles nós podemos cometer injustiças, como por exemplo, mentir, quebrar promessas, passar por cima de regras e acordos, caluniar ou trapacear para favorecer alguém.

Soberba também é um sentimento. Através dela nós ficamos cheios de nós mesmos, como se pudéssemos ou soubéssemos mais do que os outros, sem atentar que nós também somos pecadores e falhos. É por este sentimento que muitas vezes podemos desconsiderar e humilhar nossos semelhantes.

Por isso mesmo o Apóstolo Paulo fala do espinho na carne, que fora enviado por Deus para controlar sua soberba; Deus concedeu a Paulo muito conhecimento, mas também precisou fazer com este conhecimento não o fizesse achar que já era perfeito:

Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. Nesse homem me gloriarei, mas não em mim mesmo, a não ser em minhas fraquezas. Mesmo que eu preferisse gloriar-me não seria insensato, porque estaria falando a verdade. Evito fazer isso para que ninguém pense a meu respeito mais do que em mim vê ou de mim ouve. Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte. (2 Coríntios 12:2-10)  
As obras da carne estão expostas pelo ensino de Cristo para que saibamos que tipos de frutos nós podemos dar ao nos sujeitarmos aos impulsos da carne, sem dominá-los. Agindo pelos sentimentos, emoções e desejos da nossa carne (nossa alma e corpo) nós nos tornamos perversos: isso quer dizer que nós pervertemos a Justiça de Deus, estamos indo de encontro à verdade d'Ele, e nos colocando contra Ele.
Por isso, para que não nos coloquemos contra a integridade das coisas estabelecidas por Deus eternamente, precisamos renunciar ou rejeitar os impulsos corriqueiramente advindos do nosso "eu físico", e nos esforçarmos para proceder neste mundo pelo Espírito, ou segundo à justiça do Reino.  
Duas características importantes do fruto do Espírito são o amor (não o sentimento de simpatia, que vai e vem conforme o momento, mas a qualidade de justo, que trata a todos com bondade) e o domínio próprio:
O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. (Gálatas 5:22-23) - à amabilidade aqui entenda-se: gentileza, cuidado no trato com os outros, tratar bem independente de sentimentos ou emoções. 
Este tipo de fruto só conseguimos dar se estivermos realmente crendo e confiando em Deus, e não em pessoas, e desejando herdar a vida eterna com Ele, porque exigirá de nós esforço por termos que suprimir nossa carne.
Dar o fruto do Espírito também nos faz passar por muitas humilhações e sofrimentos em meio à maldade que nos cerca; acontece desta forma, pois vamos precisar não leva-la em consideração se quisermos realmente testificar Jesus ao mundo, assim como Ele mesmo fez, se entregando para morrer afim de nos libertar da escravidão do pecado e nos salvar eternamente.
Quem conhece a vontade de Deus, mas teima em obedecer a sua carne e diz que Deus o perdoará eternamente mesmo assim, e o aceitará em Seu Reino na eternidade da forma que está, sem que precise se arrepender e se submeter à Justiça d'Ele ainda neste mundo, O está negando diante de todos, negando a fidelidade, a integridade e a sabedoria do Senhor, e fazendo d'Ele um hipócrita, um mentiroso.
Quem vive para obedecer a si mesmo é emocionalmente inconstante, sem paz, e se desilude facilmente com as situações e pessoas a sua volta. Vive encontrando motivos para se lamentar do que não lhe agrada ao ego, para apontar e reclamar sempre dos erros dos outros, por colocar sua confiança em si mesmo ou nos bens materiais que possui, na política, na ciência, nas pessoas que simpatiza ou que lhe atraem fisicamente, e nunca em Deus e em Sua Justiça.
Quando Jesus nos disse que estava nos deixando a paz, foi exatamente se referindo ao seu ensino, às instruções que Ele nos deixou e em seguida foram repassadas pelos apóstolos; aprendendo-as e praticando-as nós estaremos obedecendo realmente a Deus e nisso usufruiremos da verdadeira paz, ainda que passando por lutas materiais ou físicas:
Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. (João 14:27)
Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. (Filipenses 4:5-7) - lembrando que a amabilidade aqui está se referindo à perseverança na prática da justiça do Reino de Deus revelada no ensino de Cristo, que procura tratar bem a todos, inclusive aos que nos fazem mal, e não ao sentimento de afeto ou de simpatia advindos da carne.

Foi por isso que o Apóstolo Paulo disse aos cristãos coríntios:

Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão. (1 Coríntios 15:1-2)

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Pastora Oriana Costa