By Pastors Wendell and Oriana Costa

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cuidado com as palavras dos poderosos, famosos e eloquentes!

As palavras dos sábios são como aguilhões, a coleção dos seus ditos como pregos bem fixados, provenientes do único Pastor. Cuidado, meu filho; nada acrescente a eles. Não há limite para a produção de livros, e estudar demais deixa exausto o corpo. Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal. (Eclesiastes 12:11-14, NVI)
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Existem muitos homens e mulheres famosos ensinando coisas e apoiando suas palavras nas sagradas escrituras: atores, cantores, políticos, escritores, pastores, missionários e líderes cristãos; eles costumam ser ouvidos por multidões de pessoas pelo mundo afora, e tudo o que dizem é sempre muito bem recebido. Por se tratarem de pessoas muito carismáticas, seus ditos são recebidos como se estivessem sempre corretos. 

Contudo, além daquilo que o Senhor nos ensina e que nos guia somente em Sua justiça, muitas palavras que saem das bocas de tais pessoas são provenientes de seus próprios entendimentos ou de suas próprias inteligências; muitos indivíduos se deixam levar por seus discursos sem julgá-los previamente, levando em consideração o que o Criador nos diz.

Infelizmente, situações, circunstâncias, e a aparência enganosa deste mundo frequentemente levam estes "mestres famosos" a exprimirem valores totalmente contrários aqueles pregados por Jesus Cristo. Eles estão divulgando seus valores pessoais, carnais, e que, apesar de aparentemente muito atraentes e convincentes, não estão em conformidade com a justiça de Deus.

Escrito está:

"Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor (a Deus e a Sua palavra) de muitos esfriará, mas aquele que perseverar (amando a Deus e a Sua palavra) até o fim será salvo." (Mateus 24:10-13, NVI)

"Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos. Vejam que eu os avisei antecipadamente." (Mateus 24:24,25, NVI)

É essencial que os verdadeiros cristãos busquem e peçam a Deus por discernimento espiritual em oração, ou, do contrário, certamente cairão na lábia e na sutileza de Satanás, que vem operando incessantemente através da "boa aparência" dos poderios neste mundo e do conforto material que os homens criam e oferecem. Foi assim que Eva, e logo após Adão, foram enganados: eles se deixaram levar pela aparência atraente e desejável do que viam, e esqueceram o que Deus tinha dito:

"Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também." (Gênesis 3:6, NVI)

No trecho bíblico abaixo, por exemplo, o Senhor Jesus nos ensina a ser pacificadores, ainda que estejamos sendo afrontados por pessoas que não querem aceitar ou não se sentem à vontade com os valores da justiça de Deus:

"Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica. Dê a todo o que lhe pedir, e se alguém tirar o que pertence a você, não lhe exija que o devolva. Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles." (Lucas 6:27-31, NVI)

Porém, muitos dos discursos que temos ouvido hoje, principalmente vindos de lideranças cristãs famosas aqui no Brasil, incitam as pessoas a resistirem os que lhes afrontam, e a comprarem briga com estes, até ao ponto de irem aos tribunais contra "seus adversários".

Jesus nos falou para que amássemos nossos inimigos ou fazer o bem aqueles que se levantam para nos fazerem mal, não para que "aparentássemos aos outros ser muito bonzinhos", mas por escolhermos andar segundo a justiça do Seu Reino, conhecendo qual realidade está valendo para todos nós:

"Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais." (Efésios 6:11,12, NVI)

Então, muitas das palavras ditas por estes homens e mulheres famosos estão vindo não do Espírito de Deus, mas de suas próprias indignações acerca do que vêem acontecer ao seu redor, por se sentirem afrontados ou humilhados por alguns. Eles estão sendo levados pela aparência do mundo, e não lembram das palavras de Jesus Cristo, e do seu comportamento enquanto esteve como um ser humano neste mundo.

Foi por este motivo que o rei Salomão, cheio da sabedoria do Senhor, publicou estas palavras (abaixo em duas versões bíblicas):

"As palavras do Mestre, filho de Davi, rei em Jerusalém: "Que grande inutilidade!", diz o Mestre. "Que grande inutilidade! Nada faz sentido!"" (Eclesiastes 1:1,2, NVI)

"Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade." (Eclesiastes 1:1,2, ACRF)

E também foi por este mesmo motivo que o apóstolo Paulo, movido pelo Espírito de Deus, falou estas palavras por carta aos cristãos coríntios (abaixo em duas versões bíblicas):

"O que quero dizer é que o tempo é pouco. De agora em diante, aqueles que têm esposa, vivam como se não tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; os que estão felizes, como se não estivessem; os que compram algo, como se nada possuíssem; os que usam as coisas do mundo, como se não as usassem; porque a forma presente deste mundo está passando." (1 Coríntios 7:29-31, NVI)

"Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa." (1 Coríntios 7:29-31, ACRF)

O espírito de Cristo ainda nos diz: 

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas." (Mateus 5:38-41, NVI)  

"Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. Pelo contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem."
(Romanos 12:17-21, NVI)

"Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo." (Efésios 4:29-32, NVI)

"Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de "sabedoria" não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores." (Tiago 3:13-18, NVI)

Desta forma, tudo o que ouvirmos e lermos acerca de Deus e Sua palavra, que esteja sendo proveniente de outras pessoas, deve ser analisado com cuidado: devemos sempre comparar com o que o Rei Jesus ensina e está expressamente publicado na Bíblia Sagrada.

Se os discursos não estiverem de acordo com o que o Espírito de Cristo nos diz, então devemos considerar o que foi dito como "anátema", que quer dizer "separado para destruição", ou considerá-lo "amaldiçoado", não importa quem esteja falando. Se o discurso é anátema ou amaldiçoado, é porque está indo contra a Justiça do Reino de Deus: 

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo." (Gálatas 1:6-12, ACRF)

"Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!" (Gálatas 1:6-9, NVI)

Deus não precisa da ajuda de alguns seres humanos "especiais" para fazer outros seres humanos "comuns" entenderem a Sua palavra; somente Ele tem poder para fazer a quem quiser entender o que Ele mesmo diz. No Salmo 119, podemos ler o seguinte, para confirmar:

"Não me afasto das tuas ordenanças, pois tu mesmo me ensinas." (Salmos 119:102, NVI)

Deus não faz acepção de pessoas, então, ninguém é melhor do que ninguém para Ele, todos são iguais diante da Sua presença; Sua palavra é única, de origem eterna, o que quer dizer que ela é espiritual, não vem deste mundo! Ela foi proferida por Ele mesmo, e não pode ser compreendida por ninguém sem que Ele conceda que isso aconteça. 

Por isso, escrito está:

"A tua palavra, Senhor, para sempre está firmada nos céus." (Salmos 119:89, NVI)

"Não é ele que diz aos reis: ‘Vocês nada valem’, e aos nobres: ‘Vocês são ímpios’? Não é verdade que ele não mostra parcialidade a favor dos príncipes, e não favorece o rico em detrimento do pobre, uma vez que todos são obra de suas mãos? Morrem num momento, em plena noite; cambaleiam e passam. Os poderosos são retirados sem a intervenção de mãos humanas. Pois Deus vê o caminho dos homens; ele enxerga cada um dos seus passos. Não há sombra densa o bastante, onde os que fazem o mal possam esconder-se. Deus não precisa de maior tempo para examinar os homens, e levá-los à sua presença para julgamento. Sem depender de investigações, ele destrói os poderosos e coloca outros em seu lugar. Visto que ele repara nos atos que eles praticam, derruba-os, e eles são esmagados. Pela impiedade deles, ele os castiga onde todos podem vê-los. Isso porque deixaram de segui-lo e não deram atenção aos caminhos por ele traçados." (Jó 34:18-27, NVI)

"A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, a fim de que a promessa, que é pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que crêem." (Gálatas 3:22, NVI)

Se alguém, famoso ou não, conhecido ou não, consegue dizer coisas que estão de acordo com a palavra de Deus, não é mérito de tal pessoa: a glória é de Deus mesmo, pois é Ele quem está concedendo a tal indivíduo que divulgue a sabedoria eterna da Sua palavra.

Disse o Senhor Jesus: "Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma." (João 15:5, NVI)

Assim testificou o apóstolo Paulo:

"Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus." (1 Coríntios 2:4,5, NVI)

Não é pela inteligência humana que a palavra de Deus é compreendida, e sim pelo próprio poder d'Ele, capaz de abrir os olhos e ouvidos espirituais de alguém. Portanto, quem quiser entender a palavra de Deus, deverá buscá-la primeiro na Bíblia, lendo-a e orando, pedindo ao Senhor para entendê-la! 

Não devemos nos apoiar em nossa própria inteligência, ou na inteligência de homens eloquentes, pois eles não sabem tudo, e, assim como nós, cometem equívocos em muitas de suas interpretações pessoais. Devemos sempre lembrar que é o próprio Deus quem nos mostra a verdade, só Ele tem poder para "endireitar nossas veredas"! 

"Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal." (Provérbios 3:5-7, NVI)

Então, podemos ouvir e ler o que os outros dizem e publicam, mas cabe a nós julgar cuidadosamente cada palavra, e ficar somente com o que Jesus nos ensina. No entanto, este julgamento correto só será possível se nós estivermos indo buscar o conhecimento da verdade. Sem pararmos para ler e meditar na palavra de Deus diariamente, ou sempre que possível, vamos ser tendenciosos a achar que as belas palavras dos poderosos, famosos e eloquentes estão sempre certas.

Missionária Oriana Costa.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Você é um embaixador de Cristo?

De agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado a Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. (2 Coríntios 5:16-20)

Quando nos deparamos com o trecho bíblico acima, dizendo que somos embaixadores de Cristo neste mundo, uma dúvida pode surgir: o que é ser um "embaixador"? O que ele faz?

Vejamos a seguir o significado desta palavra:

Embaixador (no feminino embaixadora, pois a esposa do embaixador é denominada embaixatriz), cujo título oficial completo é Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, é o funcionário diplomático de mais alto nível acreditado junto a um Estado estrangeiro ou organização internacional, encarregado de chefiar a missão diplomática de seu país que ostente a classificação de embaixada ou delegação, ou seu equivalente. Detém plenos poderes para representar o seu país e, em geral, para celebrar tratados entre o Estado que representa ("Estado acreditante") e o Estado que o acolhe ("Estado acreditado" ou "Estado acreditador"). (Fonte: Wikipédia)

Após a leitura deste significado, fica mais fácil entender que um embaixador de Cristo é o representante diplomático de mais alto nível do Reino de Deus na terra. A igreja do Senhor Jesus Cristo reunida é, portanto, a embaixada do Reino de Deus no mundo.

Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mateus 18:20)

A missão confiada aos embaixadores do Reino de Deus na terra é a divulgação da mensagem de reconciliação com o Criador a todos que encontrarem; e isso acontece como se o próprio Deus estivesse anunciando esta mensagem por intermédio deles.

E disse-lhes: Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. (Marcos 16:15)

Quando o Apóstolo Paulo escreveu aos cristãos coríntios, deixou claro que todos os que creem em Jesus Cristo como Seu Rei, e também como Seu Justificador eterno e suficiente salvador, são, além de cidadãos do Reino de Deus, também embaixadores desse Reino no mundo. Então, nós nos tornamos embaixadores de Cristo a partir do momento que aceitamos o senhorio d'Ele sobre nossas vidas e passamos a andar conforme Sua justiça. Isto é algo muito sério; se representar sua própria nação dentro de outra não é uma tarefa fácil, quem dirá representar o Reino de Deus na terra! É um trabalho que requer extrema competência.

Sozinhos, sem a ajuda do Criador, nunca conseguiríamos representar o Reino d'Ele na terra da forma correta, porque somos falhos e não conseguimos lembrar sempre de tudo o que Cristo ensinou. É por isso que, além de instruir o seu povo, o Senhor Jesus ainda enviou o Espírito Santo da verdade para lembrar tudo o que foi ensinado, e tudo o que Seu Pai instituiu eternamente. Essas infotmações foram documentadas e estão publicadas na Bíblia, para que todos possam ter acesso a elas em qualquer língua e em qualquer época.

É para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas se eu for, eu o enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque os homens não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado. "Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês. (João 16:7-14)

É importante que um cidadão e embaixador do Reino de Deus tenha em mente que:

1- Agora, sua pátria não é mais no mundo, ou numa nação específica dele, ainda que tenha nascido, sido criado e more em qualquer uma. Isto quer dizer que em todo o planeta, um verdadeiro representante do Reino é como um estrangeiro ou um peregrino que em breve voltará para sua cidade natal. Vejamos o que está escrito sobre isso:

Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos. (Salmos 119:19)

Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou-lhes uma cidade. (Hebreus 11:13-16)

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia, escolhidos de acordo com a pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue: Graça e paz lhes sejam multiplicadas. (1 Pedro 1:1-2)

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam. Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção. (1 Pedro 2:9-12)

2-Um embaixador do Reino também precisa agir de acordo com a justiça, ou de acordo com as leis da nação que representa. É imprescindível que ele exponha, da forma mais clara possível, a autenticidade de sua verdadeira nacionalidade a todos que lhe rodeiam; e a única maneira disso acontecer é andar segundo os estatutos estabelecidos pelo Rei dos reis para Seu Reino, assim como fez o próprio Cristo enquanto esteve como um ser humano normal entre nós. 

Quando alguém consegue obedecer à justiça de Deus, deixando de obedecer aos seus próprios desejos e pensamentos, está frutificando no espírito, e receberá de Deus o Seu favor.

O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. (Gálatas 5:22-25)

Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido. (Josué 1:8)

Então, é impossível alguém conseguir ser um bom embaixador de Cristo sem ao menos conhecer e praticar o básico da justiça eterna, revelada ou esclarecida em seu ensino (esta justiça começa a ser revelada no livro de Mateus, capítulo 5). A justiça de Deus não é o que nós achamos ser o certo, e sim o que está publicado acerca dela na Bíblia; ela também é chamada de sabedoria do alto.

No evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé". (Romanos 1:17)

Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seus corações, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:2-3)

A sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores. (Tiago 3:17-18)

Um verdadeiro embaixador de Cristo precisa anunciar as boas novas de salvação onde quer que esteja, e ele só conseguirá isso, ou só será levado em consideração, se demonstrar que pertence ao Reino de Deus de fato. Andando de acordo com a justiça de Deus ou frutificando no espírito, tal indivíduo não só fará a diferença materialmente onde estiver, mas também espiritualmente, visto que Deus confirmará a todos a autenticidade de sua fé fazendo certos sinais acontecerem.

Pratiquem os meus decretos e obedeçam às minhas ordenanças, e vocês viverão com segurança na terra. (Levítico 25:18)

O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e confiança para sempre. O meu povo viverá em locais pacíficos, em casas seguras, em tranqüilos lugares de descanso, mesmo que a saraiva arrase a floresta e a cidade seja nivelada ao pó. (Isaías 32:17-19)

Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados. (Marcos 16:17-18)

3-Duas das características da justiça de Deus são a pacificação e a imparcialidade, como observamos no trecho bíblico de Tiago 3:17. Estas virtudes são incompreendidas por muitos seguidores de Cristo, e precisam ser esclarecidas, se realmente quisermos representar bem o Reino de Deus no mundo. Não há como o evangelho ser anunciado e levado em consideração pelos de fora da fé, se especialmente estas virtudes do espírito não forem detectadas por eles na vida de um seguidor de Cristo.

O apóstolo Paulo adverte aos cristãos colossenses e coríntios:

Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Colossenses 4:5-6)

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. (1 Coríntios 5:9-13)

Atualmente, Satanás tem enganado a muitos crentes para que se deixem levar por seus sentimentos, desejos e pela aparência das coisas deste mundo, e esqueçam que precisam ser pacificadores e imparciais onde quer que estejam, dentro ou fora da igreja, e com o quê ou quem quer que seja que estejam lidando. Movidos por indignação e ira, ao colocarem suas expectativas na justiça dos homens e não entenderem o que está escrito, muitos cristãos não diferenciam a realidade do corpo de Cristo, do qual se dizem fazer parte, da realidade do mundo. 

Se algum de vocês tem queixa contra outro irmão, como ousa apresentar a causa para ser julgada pelos ímpios, em vez de levá-la aos santos? Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo? Se vocês hão de julgar o mundo, acaso não são capazes de julgar as causas de menor importância? Vocês não sabem que haveremos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas desta vida! Portanto, se vocês têm questões relativas às coisas desta vida, designem para juízes os que são da igreja, mesmo que sejam os menos importantes. Digo isso para envergonhá-los. Acaso não há entre vocês alguém suficientemente sábio para julgar uma causa entre irmãos? Mas, ao invés disso, um irmão vai ao tribunal contra outro irmão, e isso diante de descrentes! O fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa derrota. Por que não preferem sofrer a injustiça? Por que não preferem sofrer o prejuízo? Em vez disso vocês mesmos causam injustiças e prejuízos, e isso contra irmãos! Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? (1 Coríntios 6:1-9)

As palavras "pacificador", "pacificar", "imparcial" e "imparcialidade", segundo o dicionário on-line Uol Michaelis, significam:

Pacificador: Que, ou o que pacifica;

Pacificar: Restituir a paz; apaziguar, conciliar;

Imparcial: Que não é parcial. Que não se deixa corromper. Que julga sem paixão. Que não sacrifica a verdade e a justiça a considerações particulares. (Antônimos: parcial, partidário, sectário, injusto, iníquo, discriminatório, distintivo; sinônimos: neutro, autruísta, indiferente, moderado, austero); 

Imparcialidade: Caráter ou qualidade de imparcial. Equidade, justiça, neutralidade, retidão. (Antônimos:  parcialidade iniqüidade sem-justiça desigualdade discriminação injustiça; sinônimos: moderação, prudência, retidão, equidade, igualdade, isenção, abnegação, altruísmo, desambição, desapego, desinteresse, desprendimento). 

Desta forma, é de extrema importância que um cidadão do Reino de Deus promova a paz onde estiver, ainda que isto custe passar por cima de seus próprios sentimentos ou dos desejos de sua alma. Por isso, encontramos trechos no novo testamento enfatizando a pacificação, como observamos nestes dois a seguir: 

Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário: Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. (Romanos 12:16-21)

Façam caminhos retos para os seus pés, para que o manco não se desvie, mas antes seja curado. Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos. (Hebreus 12:13-15)

Da mesma maneira, também, é de especial importância que um cidadão do Reino seja imparcial onde quer que esteja, entendendo e diferenciando a justiça de Deus e a justiça do mundo. Um cidadão do Reino só consegue ser pacificador se for imparcial em sua forma de lidar com os outros, e em seus julgamentos. O Senhor Jesus nos dá bons exemplos no que se refere a agir com imparcialidade; vejamos dois deles:

Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens. Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não? Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova? Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto. Eles lhe mostraram um denário, e ele lhes perguntou: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, responderam eles. E ele lhes disse: Então, dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ao ouvirem isso, eles ficaram admirados; e, deixando-o, retiraram-se. (Mateus 22:15-22)  - Aqui vemos claramente a intenção dos fariseus: fazer com que Jesus criticasse o governo de Herodes, dizendo aos outros que os impostos cobrados por ele não eram justos.  Os fariseus sabiam que se ele fizesse isso, iria preso, e seria condenado à morte por se rebelar contra o império romano. Porém, mais uma vez Cristo se mostra sábio sendo imparcial, não se colocando contra Herodes nem se colocando contra Deus, e diferenciando claramente o governo do mundo do governo de Deus. E mais uma vez Ele também promoveu a paz no lugar em que estava.  

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. (João 8:3-9) - É fácil perceber aqui que Cristo não foi a favor da mulher tampouco a favor dos mestres da lei e fariseus, mas agiu conforme a justiça de Deus, sendo imparcial e promevendo a paz no lugar em que se encontrava. Assim como aqueles homens (que queriam apanhar Jesus numa falta de sabedoria) tiveram que se arrepender dos seus pecados, a mulher, que fora livrada de ser apedrejada, também teve que se arrepender dos seus.

Não é por acaso que o próprio Jesus ensina:

Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado. Vocês ouviram o que foi dito: Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês. (Mateus 5:38-48)




Pastora Oriana Costa.  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Você está seguindo o ide do Senhor? Ajuda nos trabalhos eclesiásticos? Há informações importantes para você em Marcos capítulo 6!

Aqui se segue uma análise do evangelho de Marcos, no capítulo 6, do qual retiramos algumas informações importantíssimas para quem está cumprindo o ide do Senhor, assumindo uma ou mais das cinco chamadas ministeriais que vemos listadas em Efésios capítulo 4:

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. (Efésios 4:11-13)

É necessário entendermos a perfeita vontade de Deus com relação ao nosso procedimento com aqueles que estão ao nosso redor, dentro e fora da igreja, para que possamos dar a todos um testemunho positivo de Sua justiça.

No capítulo 6 do livro de Marcos, percebemos algumas posturas do Senhor que muito vão nos ajudar a entender sua vontade. A primeira delas, já partindo dos primeiros versículos, é que não devemos nos perturbar por não sermos levados em consideração no lugar em que Deus está nos usando, pois, Ele é quem é o responsável pela sua obra.

Não devemos deixar de anunciar a mensagem de salvação em determinado lugar, caso as pessoas façam pouco caso de nós ou do evangelho da salvação que anunciamos, pois, quem vai sair perdendo são elas. Deus libera bençãos para confirmar Sua Palavra; se não acreditamos em Sua Palavra, logo, deixaremos de ser abençoados.

Então, iniciando a análise de Marcos 6, sabemos que, o que houve com a maioria dos habitantes de Nazaré, cidade natal de Jesus, foi que eles se deixaram levar pela aparência humana do Rei; eles escolheram desconsiderar o fato de Jesus ter uma sabedoria surpreendente, que nenhum homem conhecido entre eles possuia, e também fazer milagres extraordinários, simplesmente por ele estar num corpo humano, e fazer parte de uma família comum, com pai, mãe, irmãos e irmãs.

Eles simplesmente "acharam" (sem atentar para o que diz as escrituras sobre como viria para eles o Cristo!) que Deus não poderia se fazer como um ser humano entre eles, e por isso muitos não conseguiram enxergar que aquele era o criador de todas as coisas em pessoa; logo, Deus deixou de favorecer a muitos ali, pois outros milagres só teriam ocorrido se aquelas pessoas tivessem tido fé em Deus pelo que ensinava e fazia o Senhor Jesus entre eles.

O Senhor não perdeu absolutamente nada ao ser ignorado pelos seus "conterrâneos", tampouco seus discípulos ou os apóstolos perderam qualquer coisa, muito pelo contrário; estes continuaram sendo usados por Deus e sendo favorecidos por Ele à medida que o obedeciam.

Jesus seguiu para os povoados vizinhos a Nazaré, depois de passar lá o tempo determinado pelo Pai (Ele não saiu de lá por ter sido rejeitado!), contudo, os poucos indivíduos que acreditaram nele e permaneceram lá, serviram de testemunhas daquilo que fez o Senhor em suas vidas; certamente eles deram continuidade ao trabalho que o Senhor estava fazendo, que era o de anunciar o Reino de Deus e Sua justiça naquele lugar.

Vejamos o referido trecho:

Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. De onde lhe vêm estas coisas?, perguntavam: Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs? E ficavam escandalizados por causa dele. Jesus lhes disse: Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra. E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los. E ficou admirado com a incredulidade deles. Então Jesus passou a percorrer os povoados, ensinando.(Marcos 6:1-6)

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Chamando os Doze para junto de si, enviou-os de dois em dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. Estas foram as suas instruções: Não levem nada pelo caminho, a não ser um bordão. Não levem pão, nem saco de viagem, nem dinheiro em seus cintos; calcem sandálias, mas não levem túnica extra; sempre que entrarem numa casa, fiquem ali até partirem; e, se algum povoado não os receber nem os ouvir, sacudam a poeira dos seus pés quando saírem de lá, como testemunho contra eles. Eles saíram e pregaram ao povo que se arrependesse. Expulsavam muitos demônios, ungiam muitos doentes com óleo e os curavam. O rei Herodes ouviu falar dessas coisas, pois o nome de Jesus havia se tornado bem conhecido. Algumas pessoas estavam dizendo: João Batista ressuscitou dos mortos! Por isso estão operando nele poderes miraculosos. Outros diziam: Ele é Elias. E ainda outros afirmavam: Ele é um profeta, como um dos antigos profetas. Mas quando Herodes ouviu essas coisas, disse: João, o homem a quem decapitei, ressuscitou dos mortos! (Marcos 6:7-16)

Observação: Para ajudar a reforçar o entendimento do trecho bíblico acima podemos ver também relatos semelhantes nas seguintes referências: Mateus 10:1-16, Lucas 10:3-12 e Atos 13:42-52.

Por não entenderem o que as escrituras diziam sobre o Cristo, muitos israelitas confundiram o Seu Rei, Jesus, com outras pessoas; eles acharam que "aquele homem" seria o profeta Elias (que há muito tempo fora arrebatado) se manifestando entre eles, ou que Ele era a versão ressurreta de João Batista, que estava operando sinais miraculosos por ter ressucitado (o próprio rei Herodes achava que Jesus era João Batista ressuscitado - Marcos 6:16-29)

Outros achavam que Jesus era mais um profeta que Deus estava enviando para falar ao seu povo, como enviou na antiguidade. A maioria dos judeus não conseguia enxergar que Jesus era o próprio Deus em pessoa ali com eles, apesar dos sinais diferenciados (sobrenaturais!) que Ele, em pessoa e também através dos apóstolos que Ele enviou, dava disso.

Nas demais nações da terra, ocorre algo semelhante. Ao lerem a Bíblia, muitas pessoas acham que Jesus é um alienígena, ou que é a incorporação de algum deus grego ou indu. Até mesmo os apóstolos, já naquela época, depois que Cristo ascendeu aos céus e eles estavam anunciando as boas novas em Roma, por exemplo, foram confundidos com deuses por causa dos sinais miraculosos que aconteciam. 

Sabemos que, na verdade, é Deus quem operava prodígios por eles para testificar a mensagem de salvação que apregoavam, e isso ainda está acontecendo em nossos dias: Deus tem operado milagres e prodígios através das vidas de muitos homens e mulheres que se dispõem a anunciar as boas novas do Reino, para que as pessoas creiam nesta mensagem e também louvem a Deus pela salvação que conseguiram, mediante esta surpreendente e maravilhosa graça disponível eternamente. Vejamos a referida passagem, onde Paulo e Barnabé foram confundidos com deuses gregos após terem sido usados por Deus na operação de milagres (o povo queria adora-los):

Em Listra havia um homem paralítico dos pés, aleijado desde o nascimento, que vivia ali sentado e nunca tinha andado. Ele ouvira Paulo falar. Quando Paulo olhou diretamente para ele e viu que o homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: Levante-se! Fique de pé! Com isso, o homem deu um salto e começou a andar. Ao ver o que Paulo fizera, a multidão começou a gritar em língua licaônica: Os deuses desceram até nós em forma humana! A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes, porque era ele quem trazia a palavra. O sacerdote de Zeus, cujo templo ficava diante da cidade, trouxe bois e coroas de flores à porta da cidade, porque ele e a multidão queriam oferecer-lhes sacrifícios. (Atos 14:8-13)

É importante que, cristãos que estão sendo usados em sinais e prodígios, deixem claro que não são eles que estão operando tais maravilhas de si mesmos, mas tudo está sendo feito por Deus, e em Nome de Jesus, que autoriza a sua igreja a ir e anunciar as boas novas de salvação a todos, e sinaliza a veracidade da mensagem com eventos sobrenaturais. 

Se isso não for continuamente lembrado em público, as pessoas deixarão de crer no evangelho e de darem louvor e ações de graças a Deus, e passarão a entregar aos missionários, evangelistas, pregadores, pastores, etc., as honras que são devidas somente ao Criador de todas as coisas. 

Vejamos o que Paulo falou ao povo, após ele e Barnabé serem confundidos com os deuses da localidade:   

Ouvindo isso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as roupas e correram para o meio da multidão, gritando: Homens, por que vocês estão fazendo isso? Nós também somos humanos como vocês. Estamos trazendo boas novas para vocês, dizendo-lhes que se afastem dessas coisas vãs e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há. No passado ele permitiu que todas as nações seguissem os seus próprios caminhos. Contudo, não ficou sem testemunho: mostrou sua bondade, dando-lhes chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo-lhes sustento com fartura e enchendo de alegria os seus corações. Apesar dessas palavras, eles tiveram dificuldade para impedir que a multidão lhes oferecesse sacrifícios. (Atos 14:14-18)     

Antes de enviar os apóstolos aos povoados para anunciarem as boas novas de salvação, Jesus os advertiu que poderiam não ser ouvidos pelos israelitas; se isso acontecesse, o Senhor orientou aos apóstolos que sacudissem a poeira dos pés ao saírem do lugar que assim procedesse com eles. Isso quer dizer que, se os apóstolos chegassem em alguma comunidade judaica e não fossem recebidos ou ouvidos, estavam autorizados por Deus a darem um sinal aquelas pessoas, de modo que elas entedessem que receberiam julgamento e seriam condenadas pelo Senhor por não terem dado ouvidos a sua mensagem.

Então, de acordo com o entendimento e cultura daquela época, "sacudir o pó dos pés" era um sinal somente para os judeus que não dessem crédito ao evangelho da salvação. Hoje, porém, não necessariamente precisaremos sacudir a poeira dos pés contra eles caso rejeitem o evangelho após lhes comunicarmos a mensagem de Deus (porque culturalmente não se cabe mais este procedimento), mas, podemos falar-lhes abertamente o que lhes sucederá por não considerarem a mensagem daquele que se sacrificou para salvá-los da condenação eterna.

Uma outra coisa interessante, é sobre a maneira como Jesus orientou os apóstolos sobre sua aparência para realizar a tarefa de anunciar a mensagem de salvação aos israelitas. Ele os instruiu a prosseguirem anunciando o Reino sem aparentarem serem abastados, e sem dependerem do auxílio de bens materiais para continuarem anunciando o evangelho (ainda que eles os tivessem), mas que proseguissem apenas com a roupa do corpo, procurando depender apenas do poder e do cuidado de Deus.

Por isso observamos o Senhor falando aos seus discípulos: "não levem nada pelo caminho, a não ser um bordão (cajado). Não levem pão, nem saco de viagem, nem dinheiro em seus cintos; calcem sandálias, mas não levem túnica extra." E realmente, como veremos no trecho bíblico a seguir, eles voltaram para Jesus dando testemunho de que nada lhes faltou enquanto executavam aquela missão.

Então Jesus lhes perguntou: Quando eu os enviei sem bolsa, saco de viagem ou sandálias, faltou-lhes alguma coisa? Nada, responderam eles. (Lucas 22:35)

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Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco. Assim, eles se afastaram num barco para um lugar deserto. (Marcos 6:30-32)

Este trecho mostra como era grande o trabalho que, não somente Jesus, mas, seus apóstolos tinham; constantemente eles visitavam pessoas e também eram procurados pelos que criam em Deus e buscavam receber deles instruções sobre as escrituras, orações, e imposição de mãos para cura e para libertação de espíritos opressores. Dá para perceber que aqueleles homens provavelmente não paravam em suas casas, não deviam ter muito tempo para ver seus familiares e descansar, porque eram muito visados, assim como Jesus. 


A demanda atingiu um tal nível que, ao vê-los sem ter como se alimentarem, o Senhor levou-os a um lugar afastado, para que eles pudessem ao menos comer alguma coisa e descansar um pouco. Com estas informações, notamos que Deus não deseja obreiros sobrecarregados com os trabalhos da anunciação das boas novas do Reino. Não é da vontade de Deus que aqueles que se encarregam de trabalhar em Sua obra se encham de serviços, a tal ponto de não terem tempo nem para comer ou descansar. 

Os que seguem o ide do Senhor devem pedir sabedoria e providência a Deus para poderem descansar, se alimentarem adequadamente e, se tiverem família, passar tempo com ela. Um(a) obreiro(a) sobrecarregado(a) de serviços não dará o seu melhor para Deus porque adoecerá. 

E um(a) obreiro(a) casado(a) e com filhos não deve se ausentar de sua casa por muitos dias, pois a esposa (ou marido) e os filhos, principalmente se forem ainda crianças ou adolescentes, precisam de atenção e cuidado. Em um lar também existem obrigações e trabalhos a serem feitos; as responsabilidades não podem ficar somente nas costas de um dos cônjuges, enquanto o outro se ausenta constantemente de seus papéis em casa. 

A ausência contínua de um marido ou de esposa pode acabar em separação, por causa das muitas e fortes tentações que ambos sofrerão, principalmente na área sexual; e a ausencia de um pai ou de uma mãe pode resultar em filhos mal-educados, infelizes, confusos e libertinos, mesmo que esta ausência seja em prol da obra de Deus. Filhos precisam ser instruídos na Palavra, receberem carinho e serem corrigidos quando necessário, e isto requer tempo, paciência e dedicação. 

Não é à tôa que o apóstolo Paulo dá estas instruções aos cristãos coríntios, sobre como devem se comportar os casais cristãos:

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido. O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. (1 Coríntios 7:1-6)

E também não é à tôa que ele instrui os cristãos efésios, através de uma carta que escreveu a Timóteo, e os cristãos de Creta, através de uma carta que escreveu a Tito, com estas palavras:

Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo. Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa. Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos. As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo. O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. Os que servirem bem alcançarão uma excelente posição e grande determinação na fé em Cristo Jesus. (1 Timóteo 3:1-13)

A razão de tê-lo deixado em Creta foi para que você pusesse em ordem o que ainda faltava e constituísse presbíteros em cada cidade, como eu o instruí. É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher, e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto. É preciso, porém, que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. (Tito 1:5-9) 

Então, procurar descansar de vez em quando dos serviços eclesiásticos e/ou investir tempo na família também faz parte da obra de Deus! Um obreiro sobrecarregado e/ou com uma família desequilibrada emocionalmente e/ou desestruturada infelizmente está dando um mal testemunho aos seus irmãos em Cristo, principalmente se esses forem novos convertidos, e também exibindo um péssimo testemunho aos de fora da fé.

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Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles. Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas. Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: Este é um lugar deserto, e já é tarde. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer. Ele, porém, respondeu: Dêem-lhes vocês algo para comer. Eles lhe disseram: Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer? (Marcos 6:33-37)

Ao lermos este trecho do evangelho de Marcos percebemos pessoas com fome e sede da justiça de Deus, procurando ter um encontro com Ele para entender Sua vontade. Elas queriam ser esclarecidas sobre as escrituras, e não mediram esforços para chegar até o Senhor, porque sabiam que somente através dele obteriam o conhecimento que buscavam. Vendo aquilo, Cristo se compadeceu deles em sua insistência e perseverança, e os saciou ensinando-lhes a verdade que liberta.

É interessante lembrarmos que, naquele tempo, existiam muitos mestres da lei, muitos escribas e fariseus, mas nenhum deles foi capaz de satisfazer o desejo que aquelas pessoas tinham de entenderem a vontade de Deus. Aquela gente estava perdida, confusa, e insatisfeita espiritualmente. Apesar de irem às sinagogas e cumprirem seus votos e suas obrigações segundo a lei mosaica, as pessoas eram como ovelhas sem pastor, ou seja, não tinham quem cuidasse delas, orientado-as de forma clara para que realmente fossem guiadas até o Criador de todas as coisas.

E assim ainda acontece hoje. Muitos estão indo às igrejas, e estão se enchendo de conhecimento, se valendo de muitos rituais, e se ocupando com muitas obrigações, mas não estão sendo saciados espiritualmente com a verdade que liberta, apesar de terem sede e fome da justiça de Deus. 

Este é o principal motivo de haver tanta migração de pessoas de uma lado para outro: elas estão buscando respostas para seus questionamentos acerca da palavra e também as soluções para seus problemas diários. Esses indivíduos não estão conseguindo o alimento para seus espíritos, porém, é dever do pastor ou da liderança de uma igreja verdadeiramente cristã cuidar das pessoas que estão congregando e buscando a Deus ali, e o ensino da justiça do Reino faz parte desse cuidado. 

Então, notamos que a postura de Jesus com aqueles que estavam buscando a Deus de todo o coração foi de cuidado, em todos os sentidos. Ele não somente alimentou aquelas pessoas espiritualmente, mas também fisicamente. Em contrapartida, é interessante a reação dos discípulos quando o Senhor lhes disse: "Dêem-lhes vocês algo para comer".      

O que Jesus falou falou a eles, em outras palavras, foi o seguinte: "Mostrem a este povo
benevolência, bondade, porque vocês são meus discípulos. Vão vocês aos povoados vizinhos, comprem comida com o dinheiro que vocês tem e tragam para alimentar estas pessoas." Ao ouvirem isso os discípulos responderam: "Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?" Assim, percebemos que esta resposta não foi dada por falta de dinheiro, e sim, por pena de gastar uma quantia mais alta fazendo a caridade, ou medo de que fosse faltar depois. 

Quando estavam seguindo a Jesus, os discípulos deixaram seus trabalhos seculares; eles agiram assim para dedicar o máximo de tempo em receberem instruções das escrituras diretamente do Senhor, e aprenderem tudo o que podiam em Sua companhia. O dinheiro que eles tinham não era pouco, porque recebiam ofertas constantemente das mulheres que seguiam Jesus, segundo vemos nesta passagem:

Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens. (Lucas 8:1-3)

A reação dos discípulos naquele momento (apesar de estarem acompanhando todos os passos de Cristo, e inclusive vendo Ele operar milagres diante dos olhos deles) mostra o quanto eles ainda estavam presos a seus desejos carnais, sem compreenderem bem que aquele homem que estava com eles era o Criador de todas as coisas, e que a Justiça d'Ele é totalmente diferente da justiça deste mundo. Todos eles ainda estavam apegados ao poder do dinheiro, e deixaram de obedecer ao Senhor quando aconselhados por Ele a servirem aquelas pessoas, por causa disso.

É sempre bom lembramos o que Cristo falou em relação a colocarmos o dinheiro ou bens materiais em primeiro lugar em nossas vidas:

Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. (Mateus 6:24) 
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A reação contrária dos discípulos em fazer algo bom àquela multidão não intimidou ou impediu o Senhor de fazer sua parte. Da mesma maneira que Ele se importou com os discípulos por não estarem encontrando tempo para se alimentar por causa da demanda de serviços, e os ajudou, Cristo também se importou com toda aquela gente, que se esforçou para encontrá-lo, ainda que fosse naquele lugar deserto. Como nada é impossível para Deus, o Senhor alimentou a cinco mil pessoas, incluindo seus discípulos, através de uns poucos pães e peixes que ali havia:  

Perguntou ele: Quantos pães vocês têm? Verifiquem. Quando ficaram sabendo, disseram: Cinco pães e dois peixes. Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde. Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles. Todos comeram e ficaram satisfeitos, e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. Os que comeram foram cinco mil homens. (Marcos 6:38-44)

Executando este milagre, O Rei Jesus mostrou que quem busca a Deus de coração tem d'Ele o favor, ainda que os outros não estejam dispostos ou se recusem a ajudar. Ele mostrou também que o poder de Deus está acima do poder do dinheiro, fazendo, inclusive, sobrar os pães e os peixes. Provavelmente, se os discípulos tivessem ido comprar comida para aquelas pessoas não teria sobrado da maneira como aconteceu no evento. 

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Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. Tendo-a despedido, subiu a um monte para orar. Ao anoitecer, o barco estava no meio do mar, e Jesus se achava sozinho em terra. Ele viu os discípulos remando com dificuldade, porque o vento soprava contra eles. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar; e estava já a ponto de passar por eles. Quando o viram andando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma. Então gritaram, pois todos o tinham visto e ficam aterrorizados. Mas Jesus imediatamente lhes disse: Coragem! Sou eu! Não tenham medo! Então subiu no barco para junto deles, e o vento se acalmou; e eles ficaram atônitos, pois não tinham entendido o milagre dos pães. Seus corações estavam endurecidos. (Marcos 6:45-53)

Nesse trecho vemos o Senhor favorecendo os discípulos de duas formas, ainda que seus corações estivessem endurecidos para compreendê-lo: a primeira, fazendo com que eles fossem na frente para a próxima cidade em que iam trabalhar, e despendindo aquela multidão de pessoas Ele mesmo, em vez de deixar este serviço para seus discípulos fazerem - e novamente percebemos que Deus não queria sobrecarregar aqueles homens; e a segunda, ajudando o barco a chegar mais rápido ao seu destino, pois os discípulos estavam com dificuldades de locomoção devido ao vento contrário. 

Uma outra coisa interessante e sobrenatural, e que talvez eles não estivessem percebendo, é que Jesus não se cansava de trabalhar. O Senhor estava junto com seus discípulos o tempo todo, e quando eles estavam descansando, Ele continuava trabalhando, como podemos notar especialmente no momento em que Ele insistiu para os discípulos irem na frente para Betsaida, enquanto Ele despedia nada mais nada menos que cinco mil(!) pessoas. E depois de ter despedido toda aquele gente, Jesus subiu um monte(!) para orar(!).

Nós, seres humanos comuns, temos um limite e precisamos de descanso, mas, com Deus não é assim, pois Ele é o Criador de todas as coisas e é espírito, e espíritos não se cansam como pessoas. Só o Criador teria poder para neutralizar as próprias leis físicas que criou e andar por cima das águas, ainda que num corpo humano, e foi isso que Ele quis mostrar aos seus discípulos; só que em vez de enxergá-lo como Ele é, aqueles homens se amendrontaram achando que Cristo era uma assombração. 

Dá para notar que os discípulos estavam presenciando evidências claras de que aquele homem sábio que estava com eles era o Criador, porém, não estavam percebendo-o ainda. 

É incrível como somente com a analise de um único capítulo do evangelho de Marcos já podemos fazer uma lista de sinais que Jesus estava dando de sua divindade: Ele curava instantâneamente; expulsava espíritos malignos das pessoas; providenciou descanso para seus discípulos enquanto continuava trabalhando; não se cansava de trabalhar; providenciou alimento suficiente para saciar uma multidão de cinco mil pessoas, incluindo seus discípulos, sem usar dinheiro para comprar comida; caminhou uma longa distância sobre as águas e acalmou o vento. 

Fazendo a restropectiva de cada evento descrito no capítulo 6 de Marcos até agora, observamos que todos estes sinais foram presenciados pelos discípulos no prazo de um mês ou dois, quase que diariamente. Quando eles foram enviados aos povoados próximos a Nazaré, viram acontecer, nas pessoas pelas quais oraram e sobre as quais impuzeram as mãos, os sinais miraculosos que o Senhor lhes havia autorizado a fazer em Nome d'Ele.

Então, não havia lógica, humanamente falando, para o espanto e o medo que os discípulos sentiram ao verem o Senhor Jesus andando sobre o mar para chegar até eles. Contudo, há uma explicação plausível, segundo as escrituras, para aquele alarde dos discípulos, ainda que tivessem presenciado sinais miraculosos executados por seu mestre antes: os corações deles estavam "endurecidos", ou seja, eles ainda estavam com os olhos e os ouvidos espirituais bloqueados em parte pelo poder de Deus, assim como a maioria dos israelitas. Sobre isso, falaram Moisés e o profeta Isaías:

Com os seus próprios olhos vocês viram aquelas grandes provas, aqueles sinais e grandes maravilhas. Mas até hoje o Senhor não lhes deu mente que entenda, olhos que vejam, e ouvidos que ouçam. (Deuteronômio 29:3-4)

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: Quem enviarei? Quem irá por nós? E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me! Ele disse: Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam. Torne insensível o coração desse povo; torne surdos os ouvidos dele e feche os seus olhos. Que eles não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, e não entendam com o coração, para que não se convertam e sejam curados. (Isaías 6:8-10) 

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Depois de atravessarem o mar, chegaram a Genesaré e ali amarraram o barco. Logo que desembarcaram, o povo reconheceu Jesus. Eles percorriam toda aquela região e levavam os doentes em macas, para onde ouviam que ele estava. E aonde quer que ele fosse, povoados, cidades ou campos, levavam os doentes para as praças. Suplicavam-lhe que pudessem pelo menos tocar na borda do seu manto; e todos os que nele tocavam eram curados. (Marcos 6:53-56)

Esta passagem é interessante, pelo fato de que o povo de Genesaré nunca tinha visto Cristo pessoalmente, mas, no entanto, o "reconheceram". Este reconhecimento não é conforme a ciência humana, mas foi concedido pelo Pai àquelas pessoas. Os indivíduos daquela cidade reconheceram Jesus conforme o que era dito sobre Ele nas escrituras, e não conforme a aparência humana; eles perceberam que aquele homem se tratava do Senhor, o Criador de todas as coisas, o Seu Rei, ali presente. 

Então, aquela gente reconheceu Jesus espirituamente! Nem mesmo os discípulos ainda o reconheciam desta maneira, e tanto é que se espantaram ao verem o Senhor andando sobre as águas. 

Esta percepção diferenciada foi que levou aquelas pessoas a terem a absoluta certeza de que somente tocando na borda do manto de Jesus seriam curadas, como de fato foram. Por esta mesma certeza é que também iam atrás do Senhor onde quer que Ele fosse, sempre levando seus doentes, para que fossem curados. 

Eles sabiam que a vinda de Jesus era o cumprimento do que o Pai prometera a Israel, e também que o Cristo cumpriria no meio do povo o que estava documentado, sobre como ele agiria, nas escrituras:

Esperarei pelo Senhor, que está escondendo o seu rosto da descendência de Jacó. Nele porei a minha esperança. Aqui estou eu com os filhos que o Senhor me deu. Em Israel somos sinais e símbolos da parte do Senhor dos Exércitos, que habita no monte Sião. (Isaías 8:17-18)

Ocultarei desta cidade o meu rosto por causa de toda a sua maldade. Todavia, trarei restauração e cura para ela; curarei o meu povo e lhe darei muita prosperidade e segurança. Mudarei a sorte de Judá e de Israel e os reconstruirei como antigamente. Eu os purificarei de todo o pecado que cometeram contra mim e perdoarei todos os seus pecados de rebelião contra mim. (Jeremias 33:5-8)  

Tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. (Miquéias 5:2)



Pastora Oriana Costa.